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Fui diagnosticada com total incapacidade para interpretar os formulários, leis, papeladas afins que regem a candidatura a um concurso público. Pura e simplesmente, não consigo. E talvez.... ainda bem.
Crónica da Revista Sábado: «Os meus medos». Acho bonito. Não só é bonito, como requer ter «tomates». E ter «tomates» hoje em dia não é fácil. Parece que todos temos de ser imbatíveis, vencedores, imparáveis, incorruptíveis e corajosos, em todas as circunstâncias. Ao ponto de sermos... inumanos. Bem haja à revista e a todas as figuras semi-públicas que têm «tomates» para assumir os seus medos.
Ver. Como gostaria de ver melhor. Ser pequenina o suficiente para atravessar portas fechadas, janelas trancadas, permanecer escondida entre quem partilha segredos. Descobrir como dói, como fere a percepção real das pessoas, na sua maior podridão. Assim, vivas.
Há algum letreiro na cabeça de todas as mulheres a dizer: «Serviço de limpeza gratuito. Nós gostamos»?
Eu não me lembro de ter nascido com uma coisa dessas na testa. No entanto, parece que toda a gente, senhoras incluídas, acha que os serviços de limpeza são para serem levados a cabo invariavelmente por mulheres. Nem colocam outra hipótese. São as mulheres que fazem. «Está nos genes», devem pensar. Não. Não. Não.
Nem todas nós somos aficionadas por limpeza, nem todas nós gostamos e nem todas nós temos chiliques cada vez que algo está fora do sítio. Eu não tenho problemas em estar num local desarrumado, nem gosto de limpar. Não gosto de limpar o meu quarto, quanto mais outros locais.
É uma questão de genes e de hábitos instituídos desde o início da humanidade. Então senhores, por favor, peguem nas armas e vão caçar um animalzinho que a moçoila aqui tem fome.
1. Gritar de manhã cedo. (sabe-me bem, não sei explicar)
2. Cumprimentar pessoas que não conheço no meio da rua. (Adoro ver a reacção de algumas. Os velhotes são os melhores, respondem sempre. Não sei se por simpatia ou se simplesmente têm medo que seja alguém que conheceram e já não se lembram)
3. Rir muito alto. (Umas vezes porque quero, outras porque não consigo evitar. Dar gargalhadas alto é tão bom. Quem nunca experimentou deveria deixar-se levar pelo riso quando acha realmente muita piada a alguma coisa. É até doerem os abdominais)
4. Ser especialmente simpática com aquela e a outra pessoa, que mal consigo suportar. (É sempre bom exercitar os músculos do cinismo, se não ele acomoda-se)
5. Dar prendas. (Aquelas inesperadas. Surpreender mesmo. Apanhar a pessoa desprevenida e toma. Aqueles breves momentos de surpresa valem por tudo)
6. Tomar um banho quente depois de comer. (Faço-o porque gosto e para provar que ninguém tem paragens digestivas provocadas por água quente)
7. Ler com o livro enfiado por baixo das mantas. (Costumo ter alguma dificuldade em ver as palavras depois de algum tempo, mas ao menos está quentinho)
8. Saber que estou perdida e não perguntar a ninguém onde é o local para onde quero ir. (Apenas para testar a intuição que eu acho que tenho)
9. Ir no autocarro a desenhar a senhor(a) que vai à minha frente, tentando disfarçar que o estou a fazer, maioria das vezes, com pouco sucesso. (Há pessoas que fazem pose. É giro)
10. Escrever coisas para o blogue em pleno horário laboral, fazendo o meu melhor ar de concentração. (Just love it)
O realizador Pedro Costa deu um dia destes uma entrevista à Radar. A uma das perguntas sobre cinema e sobre as diferenças entre os gostos por diferentes tipos de filmes, Pedro Costa respondeu:
«Há filmes que nos conseguem ver. Se já viram algum filme que vos viu, então, meus amigos, estão salvos.»Já fui salva vezes e vezes sem conta. Por filmes que me viram de uma forma que às vezes nem os amigos mais íntimos conseguem ver. P.S: Além disso, Pedro disse ainda que o Sócrates é um banana. E um terrorista da apatia. Impossível não gostar deste nosso cineasta.
Ao passar perto de uma frutaria penso no quão excitante seria assomar-me à entrada e discretamente roubar umas quantas maçãs. Continuar a andar, passando despercebida, e, assim que saísse do campo de visão do dono, desatar a correr. Eu e as minhas maçãs acabadas de roubar. Da mesma forma que, sabendo dados de entrada de alguns BO do meu trabalho, dou por mim a pensar que gostaria imenso de ser a mente por trás de uma operação de burla gigante. Não pelos louros, simplesmente pela excitação de saber que fiz algo errado. Assim como acontecia quando roubava um pouco do bolo de chocolate acabado de fazer sem a autorização da minha mãe. P.S.: Este discurso pode ter várias explicações:
1. Estou a desenvolver o instinto criminoso que sempre quis esconder2. Tenho saudades do bolo de chocolate da minha mãe3. Estou incrivelmente aborrecida